03/07 Santuário do Caraça
A primeira notícia que se tem do Caraça data de 1708, quando
aparece em um mapa da Província de Minas. Em 1716, num registro histórico,
aparece o Arraial do Inficionado do Caraça. Vestígios na região do Tanque
Grande e dos Pinheiros apontam para a existência de antigos garimpos,
provavelmente do século XVIII.
O início do caraça ocorreu por volta de 1770, a sesmaria do Caraça foi comprada pelo Irmão Lourenço de Nossa Senhora, que logo começou a construir um hospício (casa de hospedagem) para romeiros e uma capela barroca, dedicada a Nossa Senhora Mãe dos Homens, devoção mariana tipicamente portuguesa.
Existem duas hipóteses para o
nome caraça sendo elas:
1. Caraça seria o
formato de um rosto humano na Serra do Espinhaço: é explicação
corrente no tempo do Colégio e comentada por Dom Pedro II, em seu diário (11-13
de abril de 1881). O que pesa contra esta explicação é o fato do Caraça ter
sido sempre citado no masculino e nunca no feminino (Serra da Caraça), como
deveria ser já que caraça, compreendido como cara grande é palavra
feminina.
2. Caraça seria o
grande desfiladeiro existente na Serra do Espinhaço nesta
região: explicação dada por Auguste de Saint-Hilaire (1816) e acolhida por José
Ferreira Carrato, em sua tese de doutorado sobre o Caraça (As Minas Gerais e
os Primórdios do Caraça), publicada em 1963. Caraça, em tupi-guarani,
significa desfiladeiro ou bocaina, como hoje é chamado o portentoso vale entre
os Picos do Sol e do Inficionado.
Dentro de caraça possui ima
igreja conhecida como Santuário Neogótico de Nossa Senhora Mãe dos Homens que
foi construída devido ao pequeno número de
pessoas que a Ermida do Irmão Lourenço comportava, o contínuo aumento do número
de alunos do Colégio e a presença no Caraça do Seminário Maior de Mariana
(1854-1882), onde se estudava Filosofia e Teologia, o Padre Clavelin, então
superior (1867-1885), resolveu derrubar a primitiva Ermida e construir um
grande templo neogótico, seguindo o estilo francês, com material local. Em
1876, iniciaram a demolição da pequena Ermida e a construção do atual
Santuário, que levou sete anos, sendo consagrado no dia 27 de maio de 1883.
Mesmo tendo sido feita em estilo arquitetônico francês, a Igreja do Caraça foi construída sem mão-de-obra escrava e toda com material regional: pedra sabão (retirada de perto da Cascatona), mármore (das proximidades de Mariana e Itabirito) e quartzito (da região do Caraça e vizinhanças), unidas com um produto a base de cal, pó de pedra e óleo.
Construiu-se,
assim, a primeira igreja neogótica do Brasil: toda ela desenhada, projetada e
edificada por um Padre da Missão, na Serra do Caraça.
Nesta igreja o
estilo neogótico está
em confronto com o barroco.
Ao
contrário do barroco, o apelo religioso do neogótico não é mais ao emocional,
mas ao racional, à capacidade intelectiva do ser humano, que pode caminhar ao
encontro de Deus. Se, no barroco, os altares das Igrejas davam a impressão de
que Deus vinha poderosamente sobre o fiel, na igreja neogótica toda a
construção é feita para que o fiel possa alcançar a Deus, buscá-lo a partir de
sua inteligência e reflexão. O encontro com Deus se dá agora num mundo aberto,
não mais apenas tutelado pela Igreja, mas empurrado pelas ciências e pelos
novos conceitos existenciais. Igrejas altas, com ogivas e colunas, demarcam o
espaço em que o fiel busca um encontro com o Transcendente, que vive em outro
mundo, mas que pode ser encontrado. A claridade e a abertura das Igrejas, com
suas janelas, vitrais e rosáceas, demarcam que as Luzes chegaram também para a
experiência religiosa e que os novos tempos e os novos ventos devem arejar o
conhecimento de Deus e o encontro com o Absoluto.
Esta igreja possui algum aspectos marcantes,
citados abaixo:
No
frontispício, aparece o símbolo de São Francisco de Assis, padroeiro secundário
da Igreja, a cuja Ordem Terceira pertencia o Irmão Lourenço: são as duas mãos
chagadas entrecruzadas, uma simbolizando a mão de Jesus Cristo e outra, a de São
Francisco. Aparecem também duas datas: 1775 e 1880. 1775 é o marco inicial da
construção da Ermida do Irmão Lourenço. 1880 marca o cinqüentenário da
manifestação de Nossa Senhora das Graças à Irmã Santa Catarina Labouré (1830),
por cujo motivo foi colocada sua imagem no frontispício da Igreja.
No interior do caraça, em relação
a vegetação se encontra uma ecotoni (área de transição) de cerrado com mata
atlântica. Na RPPN Santuário do
Caraça existem duas formações vegetais básicas, que são as campestres e as
florestais. As campestres, dentro do domínio do Cerrado, e as florestais,
dentro do domínio da Mata Atlântica.













































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